quinta-feira, 15 de março de 2012

O mistificado "Óxido Nítrico"



A enorme variedade de produtos milagrosos ofertados pelas indústrias suplementícias, extrapola a ciência dos praticantes de atividade física. Em evidência nas prateleiras e prescrições, está os suplementos a base de Óxido Nítrico (N.O., do inglês Nitric Oxide), chamados “Vaso-Dilatadores”.

Afinal, o que é Óxido Nítrico?

O Óxido Nítrico é um gás de ação rápida, com meia-vida aproximada de 10 segundos (sim, 10 segundos!), agindo principalmente no sistema cardiovascular, imunológico e nervoso.

É sintetizado através do aminoácido Arginina, condicionalmente essencial. Nosso metabolismo produz diariamente, aproximadamente 2000 vezes mais Arginina do que realmente necessitamos e utilizamos. Qual a intenção em consumir suplementos com maiores quantidades de Arginina, uma vez que não temos essa demanda?

O principal fator limitante para a síntese do Óxido Nítrico, portanto, não é a disponibilidade de Arginina, e sim a presença da enzima que converte Arginina em Óxido Nítrico, chamada "Óxido Nítrico Sintase". Sendo o número de enzimas disponíveis limitadas, não haverá diferença na quantidade final do produto, tendo disponível 1g ou 1000g de Arginina.



E o efeito aparentemente vasodilatador gerado após o consumo desses suplementos, se dá principalmente pela presença do termogênico cafeína, que gera vaso-constrição central (p.e. cardíaca) e vaso-dilatação periférica (p.e. ante-braços e perna). Entretanto, essa vasodilatação é apenas capilar (vasos de pequenos calibres do sistema circulatório), e não intramuscular.

Mais uma vez, devemos estar atentos com as promessas.

Paulo Mendes
Nutricionista – CRN 6683/DF
paulo@paulomendes.ntr.br





Referências Bibliográficas

1 – Hall, J.; Guyton, A.Tratado de Fisiologia Médica. 11ª Edição Ed. Elsevier, 2006.
2 – Loscalzo, J.What we know and dont know about L-Arginine and NO. American Heart Association, 2000; 101, p 2126-2129.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Nutrição Funcional. Afinal, o que ela realmente é?


Atualmente, todos sabem qual é a dieta da moda: dietas baseadas na "Nutrição Funcional".

Primeiramente, vamos entender o que são Alimentos Funcionais: alimentos com nutrientes capazes de promover efeitos fisio-metabólicos favoráveis, além desempenhar papel potencialmente benéfico na
redução do risco de doenças crônicas degenerativas, apresentados da forma mais simples à mais complexa.

Podemos descrever as de efeito simples como nutrientes básicos, de comum ingestão cotidiana, como alimentos fontes de Vitamina E, Vitamina D, Selênio; já os complexos, substâncias encontradas com maior raridade nos alimentos: Quercetina, Resveratrol e Cúrcuma são bons exemplos.

O mais interessante é que muitos profissionais adeptos da Nutrição Funcional, apesar de se atentarem ao aspecto antioxidante, antiidade e anticatabólico, esquecem de um dos pontos nutricionais que considero mais relevantes: o perfil pró-inflamatório dos alimentos, comumente presentes em suas prescrições.

Mas o que seria esse perfil inflamatório? Resumidamente, são alimentos com alto teor alergênico e depressores do Sistema Imunológico: pão, derivados do trigo, laticínios, embutidos (peito de peru, presunto, blanquet etc.), margarina e/ou Becel, soja, entre outros. Familiar em sua dieta?

Inúmeros são os estudos científicos provenientes principalmente do Canadá e Estados Unidos, que associam doenças e degenerações metabólicas (Sarcoidose, Aterosclerose, Resistência à Insulina, Pelagra etc.) com o simples consumo constante desta classe de alimentos.

Portanto, a Nutrição Funcional deve considerar estes dois aspectos para que realmente seja  efetiva. Deverá ser a diferença entre "Alimentos Funcionais - Alimentos Inflamatórios".




Paulo Mendes 
Nutricionista - CRN 6683/DF
paulo@paulomendes.ntr.br